LIRA PAULISTANA, UM ESPAÇO DE VANGUARDA DAS ARTES
- Revista Pub
- 6 de mai. de 2025
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Atualizado: 12 de mai. de 2025
-RUI VIANNA-
O Teatro Lira Paulistana nasceu como um espaço de efervescência e resistência, trazendo em seu DNA a caracterÃstica de vanguarda, de abrir o palco para várias manifestações da arte marginal, inédita e inovadora do cenário, principalmente, musical do final da década de 1970.
Estava localizado à Rua Teodoro Sampaio, 1091, em frente à Praça Benedito Calixto, em Pinheiros - São Paulo. Era um porão, com o palco e as cadeiras da audiência situados abaixo no nÃvel da rua. Não era de grandes proporções, mas a repercussão de suas performances foi estrondosa.

Por ali passaram vários artistas do que seria conhecido como a Vanguarda Paulista, entre eles Grupo Rumo (trazendo a frente Luis Tatit), Arrigo Barnabé e Banda Sabor de Veneno, LÃngua de Trapo (com a atriz Marisa Orth de vocalista), os multi-talentosos Premeditando o Breque, Itamar Assumpção e a Banda Isca de PolÃcia, Ná Ozetti, Titãs (sim, antes de virar sucesso eles tinham se apresentado lá), Hermelino e o Santos Futebol Music... A lista é grande e revela a vocação do Lira, como era chamado carinhosamente por seus frequentadores (entre eles, eu), de ser o cartão de visitas da vanguarda artÃstica paulistana no curto perÃodo em que manteve suas portas abertas.
Mas o Lira Paulistana não se ateve ao cenário musical, tendo sido palco para várias mnifestações culturais e polÃticas deste perÃodo de transição da ditadura militar para a Nova República, que incluiu participação ativa no movimento popular das Diretas Já.
Além do espaço fÃsico, o Lira Paulistana se imortalizou através de um selo fonográfico, do mesmo nome, que produziu e lançou diversos tÃtulos :
Beleléu, Leléu, Eu. Itamar Assumpção, 1980.
Às Próprias Custas S/A. Itamar Assumpção, 1981.
Summertime. Cida Moreira, 1981* [10]
LÃngua de Trapo. LÃngua de Trapo, 1982.
Poema da Gota Serena. Zé Eduardo Nazário, 1982
Cabelos de Sansão. Tiago Araripe, 1982
Chora Viola, Canta Coração. Grupo Paranga, 1982
Pau Brasil. Grupo Pau Brasil, 1983
Abolerado Blues. Cida Moreira, 1983**
Quase Lindo. Premeditando o Breque, 1983**
Freelarmônica. Freelarmônica, 1983**
Como Essa Mulher. Hermelino e a Football Music, 1984
Algumas curiosidades sobre o Teatro, que merecem ser do conhecimento de todos:
Entre os fundadores do Lira, estão Humberto Gessinger, (pai do Humberto Gessinger dos Engenheiros do Hawaii, figura crucial na gestão do espaço), Castro Riba, que escreveu, anos mais tarde, em 2014, o livro "Lira Paulistana - Um delÃrio de Porão", Luiz Tatit (do grupo Rumo, que era a "casa band" do teatro), Arrigo Barnabé e Itamar Assumpção;
Um documentário sobre o Lira foi feito por Carlos Cortez, com cenas raras dos bastidores, em 1982
Em 17 de março de 1985, os grupos de hardcore punk paulistas Cólera e Ratos de Porão, fizeram o show de lançamento do álbum de estréia do Cólera, Tente Mudar o Amanhã. Esse show ficou registrado no álbum Ao Vivo no Lira Paulistana, lançado no mesmo ano pelo selo Ataque Frontal. (Aqui alguns trechos desse show)
O público frequentador do Lira era, em si, um evento a parte. A juventude pulsante da cidade de São Paulo que ajudou a transformar o pacato bairro de Pinheiros em um reduto de descolados (e decolados) de todo tipo, em roupas coloridas e escandalosas, à s vezes trapos chics, consumo de todo o tipo de substâncias, de forma harmônica e descontraÃda, que se espalharam pela Av. Henrique Schaumann e seus vários botecos, restaurantes e casas noturnas. Guardo lembranças ternas e boas do perÃodo.
O Lira encerrou suas atividades em 1986, principalmente por problemas financeiros e de segurança nas instalações.
Rui Vianna é advogado aposentado e associado do IBAP.






