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JÚPITER

-ELIANA HABERLI-




Imagem - Pixabay

Júpiter é o maior planeta do sistema solar, com diâmetro de 143 mil quilômetros, um número que na verdade não dá medida de comparação na nossa cabeça. Melhor dizer que em Júpiter cabem mil Terras. Eita coisa grande, cabe tudo, é a casa da sogra do Sistema Solar. É tudo superlativo em Júpiter. O planeta tem umas 90 luas, algumas descobertas recentemente e as maiores descobertas por Galileu no século 17. Uma das luas se chama Europa. Ou seja, em Júpiter você pega uma nave espacial se quiser viajar para a Europa. Como a gente ia dizer noite negra, se morássemos em Júpiter? “Querido, a noite está tão escura, tão estranha, que eu só contei oito luas. Essas mudanças climáticas...”


O dia e a noite de Júpiter são mais curtos que na Terra, olha que interessante. O planeta grandão tem dia e noite de 9h e 50 minutos. Quando os moradores já fizeram tudo de útil no seu dia vão para a cama sem ver televisão, planeta ótimo, ninguém acompanha novela. E a noite de 9 horas e 50 minutos dá certinho para ler um conto antes do sono e descansar até o dia seguinte. É muito fácil descansar em Júpiter porque o planeta é gasoso, levinho, não é massudo como a Terra, planeta pesadão, como todos nós sabemos. Em 2024, então, a Terra se tornou mais pesada do que nunca, ainda mais com o noticiário da Faixa de Gaza.


Eu estou conversando sobre Júpiter com vocês porque eu preciso de coisas grandes e leves, meu coração anda meio apertado, não consigo mais simplesmente repetir o surrado refrão de “próspero ano novo”. Já desejei e já me desejaram bom Ano Novo tantas vezes e quando o ano novo chega ele vem todo cheio de penduricalhos do ano velho. Ele já chega com demandas antigas. Contas para pagar, IPVA, voltar no médico, fazer ecodoppler, arrumar presente para a cunhada que ficou faltando no Natal, passar na farmácia etc etc. O Ano Novo, gente, já começa velho.


Bom mesmo é Júpiter. O ano em Júpiter demora 11,9 anos terrestres, olha só. Dá tempo de cumprir todas as resoluções de Ano Novo. Ninguém reclama, como aqui, “nossa, já estamos em outubro, este ano passou voando”. O ano do nosso planeta vizinho é ótimo, longo, vagaroso. Stress zero.


E se não bastasse tudo isso, a luz do Sol é muito bem aproveitada em Júpiter. O planeta emite mais energia da radiação infravermelha do que a que recebe do astro-rei. Isso é que é cash back. Planeta generoso. Quando a nossa velha Terra vai aprender com ele?


 

Eliana Haberli Silva é jornalista aposentada e cronista. É graduada pela Faculdade de Jornalismo Cásper Líbero. Entre os anos de 1970 e 2014 trabalhou em jornais como Folha de S.Paulo, Jornal da Tarde, Gazeta Mercantil e Diário do Comércio.



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