A energia do Cristal

-FREDERICO ARZOLLA-



Quando vejo pessoas autênticas que são o que são e se expressam livremente, colocando-se, identifico esta energia. Colocar-se e posicionar-se é um ato de coragem, é necessário fazê-lo. Se posições não forem definidas, sobre que bases serão erguidas as decisões? De forma monocrática?


Viver é um exercício de democracia, do ato diário de zelar e cuidar de sua existência e manutenção. Aquele que não sabe ouvir e compor na tomada de decisões, não serve para estar à frente delas. Vemos dirigentes fracos e inconsistentes que exercem o poder de forma autocrática para impor um ponto de vista. Não adotam a melhor solução, adotam a mais conveniente. Cedem aos interesses e atuam como porta-vozes de grupos em detrimento do bem comum. Tornam-se líderes às avessas impondo decisões. Cabe às pessoas exercerem seus direitos de se manifestarem e lutarem por estes. A democracia deve ser exercida de fato e não como uma simples aparência cosmética.


Quando dirigentes mostram-se inoperantes e incompetentes é hora de trocá-los quer seja pelo voto quer seja pela pressão das bases, ao exigir e identificar melhores líderes para a condução dos processos. Quando o poder se acopla à alma de uma pessoa, este se transforma em seu alimento. Cargos são um meio para realizar ações e projetos. Aqueles que assumem cargos precisam ter em mente que estão ali a serviço do cargo e não o contrário, de preencher e satisfazer as necessidades pessoais.


Ouvir e estabelecer instâncias e decisões colegiadas, criar mecanismos participativos e colocar os conselhos com verdadeira representação da sociedade, é fundamento da democracia.


Governos agem de forma autoritária, impondo ações, sob suposta “validação” pelo resultado das eleições. Acham que, uma vez eleitos, receberam o cheque em branco. Não receberam! O que receberam foi o sonho e a esperança das pessoas, neles depositadas, de um mundo melhor. Receberam a confiança como líderes à frente desse processo. Quando os dirigentes deixam de representá-las e mesmo passam a prejudicá-las, chegou o fim. Perdeu-se o propósito.


Quando pequenos grupos decidem o destino de uma maioria e esta deixa de ser ouvida e considerada nas decisões, perdeu-se a legitimidade de um governo e de seus dirigentes. Há que substituí-los no momento oportuno, e durante sua moribunda permanência, exercer o direito de manifestação e participação nas decisões, procurando evitar o agravamento do mal imposto à população.


Quando vejo pessoas autênticas colocando-se, vejo o cristal revelando suas faces. Precisamos trabalhar o sentido do verdadeiro. Chega de mundo fake e non sense, falso e sem sentido. É hora de resgatar o mundo antes do seu colapso. É hora de todos despertarem, de construirmos a verdadeira realidade, em que todos sejam ouvidos, considerados, representados e contemplados. Levantem-se as vozes e que juntas ecoem o verdadeiro projeto deste estado e da nação.


Frederico Arzolla é Engenheiro Agrônomo, Doutor em Biologia Vegetal, Pesquisador em Conservação da Natureza e Florística e Fitossociologia de Árvores da Mata Atlântica


302 visualizações1 comentário

Posts recentes

Ver tudo