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O declínio moral dos impérios

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    Revista Pub
  • há 20 horas
  • 3 min de leitura

-FREDERICO ARZOLLA-


Sim, os impérios.


São as estruturas de poder que corrompem o ser humano ou revelam o que ele tem de pior. O poder faz emergir no humano características que por muitas vezes permanecem em silêncio, ou ficam restritas a ambientes menores.


O ódio quando indivíduos tomam o poder é um exemplo. O ódio reprimido encontra zona de conforto para manifestar-se tornando seu efeito assim exponencial. Seu alcance pode atingir centenas a milhares de pessoas.


Quando olhamos para o passado, vemos o Império Romano, e vem a pergunta, em algum momento os impérios foram diferentes? Relatos do caso Epstein trazem a tona o lado mais sombrio e vil do ser humano.


Por Navin75 - Little St James Island, CC BY-SA 2.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=92325416
Por Navin75 - Little St James Island, CC BY-SA 2.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=92325416

Se por um lado temos o ser humano comum, que vive sua vida, trabalhando para o sustento da sua família, vivendo e participando em comunidade, temos de outro, estruturas de poder infames, centradas na violência, na exploração sexual, na escravidão, na exploração predatória da natureza. Se de um lado há a vida regrada do cidadão comum, de outro há o “tudo pode” que ocorre em muitas das cortes, cúpulas de poder e governos.


Apesar de Buda, Cristo, Maomé e outros mestres e profetas, a sombra da barbárie acompanha a civilização e tem se revelado de muitas formas, ao longo dos séculos, em diferentes territórios, escalas e épocas.


No Brasil, também tivemos nossas barbáries. Foram fenômenos mundiais que  ocorreram com intensidade avassaladora. O país participou ativamente do comércio e tráfico de vidas humanas negras escravizadas, que enriqueceram muitos dos atuais grupos e famílias mais ricos da nação, e o genocídio indígena, que dizimou populações, exterminou línguas e etnias, ainda ocorre em diversas partes do país.


Isso nos leva a concluir que a evolução que se vê na civilização mostra-se sobretudo tecnológica, a evolução da sociedade, na prática, ainda é restrita.


A religião surte efeito nas pessoas, nos ensinamentos que cada um interioriza, mas a relação ainda é muito individual, eu com Deus.  Já a aplicação da religião com o próximo fica a mercê da conveniência. Quando convém eu sou cristão e quando não convém, que venha a barbárie.


Mesmo as leis, apesar de sua evolução e consolidação são ignoradas quando interessam. No ambiente internacional, Gaza é um exemplo de como tripudiar tratados e convenções. No ambiente interno, governos de estados muitas vezes burlam leis e a constituição, ignorando-as, buscam interferir nos sistemas legislativo e judiciário estaduais, tornando ainda mais frágil a democracia. Agem como Césares.


É necessário preservar e proteger as estruturas que defendem a população. Precisamos fortalecer a população para não ficar refém dos grupos que se apoderam do estado. Há os grupos eleitos, mas há toda uma camada que orbita e influencia, mandando sem ter tido os votos da população.


Quando vemos as notícias do mundo, vemos que enquanto civilização temos um caminho muito longo pela frente. Há muitos anestésicos e analgésicos que atuam na sociedade para turvar a visão, cegar as mentes e emudecer as bocas. Mas o papel daqueles que enxergam e tem consciência é de se expor e se manifestar. Manter a vigilância, mas sobretudo exercer a cidadania, participando ativamente da vida.


Temos um papel neste mundo, não viemos à toa. Exerçamos ele. Sem medo, pois ele corrompe nossa coragem. Sem preguiça, comodismo ou procrastinação, pois eles retiram nossa capacidade de ação. Sem se perder nos pequenos vícios e prazeres e na vida cotidiana, pois eles nos desviam do caminho. A conta virá para cada um bem como a sua prestação. Cumpramos nosso papel como consciência e altivez.



Frederico Arzolla é Engenheiro Agrônomo, Doutor em Biologia Vegetal, Pesquisador em Conservação da Natureza e Florística e Fitossociologia de Árvores da Mata Atlântica e associado do IBAP.



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