ABRAÇADOS A UM PAVILHÃO ESTRANGEIRO
- Revista Pub

- 16 de set. de 2025
- 4 min de leitura
-BERNARDO LINS-
Algo que sempre me impressionou foi ouvir frases como “infelizmente fomos colonizados pelos portugueses”. A idéia de que seríamos um povo melhor se tivéssemos sido fruto da exploração de holandeses ou ingleses é uma complementação usual desse lamento. É, porém, equivocada e fútil, simplesmente porque é uma especulação sobre algo que jamais aconteceu e não aconteceria.
Portugal foi, e ainda é, uma nação a respeitar, com todas as brutalidades, as falhas e a grandeza de qualquer grande império global do passado. E, na Europa, foi o precursor. Quando o primeiro monarca de Portugal, Afonso Henriques, adotou o titulo de rei em 1140, há quase 900 anos, iniciaria uma expansão que levaria Portugal, cinco gerações mais adiante, com Afonso IV, a ter um território definido, um idioma único e um projeto estratégico nacional, de voltar-se ao oceano e encontrar o caminho da expansão comercial. Isto por volta de 1350, menos de duzentos anos depois. A primeira nação no sentido moderno.
Há momentos na vida de um país em que um novo rumo torna-se inevitável, para o bem ou para o mal. Ao visitarmos a igreja do mosteiro de Alcobaça, a uns cem quilômetros de Lisboa, nos deparamos com a antevéspera de um desses episódios. Nas naves laterais da igreja do mosteiro cistersiense, hoje um monumento histórico, vemos as tumbas de D. Pedro I e de sua segunda mulher e grande paixão, Inês de Castro. Estão ali, face a face, para que no dia do juízo final ambos se levantem e, no primeiro instante, vejam um ao outro e renovem a emoção de estar novamente juntos.
Pedro foi o último grande rei português da casa de Borgonha. Não teve vida fácil. Seu pai, Afonso IV, negociou seu casamento com a nobre espanhola Constança Manuel, de quem Pedro teria o filho Fernando. Seus olhos, porém, eram para a favorita Inês de Castro. Afonso era desgostoso da relação de Pedro com Inês, que influía abertamente na corte em favor dos nobres de origem espanhola. Em 1355, manda executar a
preferida do filho, degolando-a. Pedro, tomado por justificada ira, entraria em guerra com o pai, chegando a um acordo dois anos mais tarde e assumindo mais adiante o trono. Seria um reinado duro, reforçando a sobriedade que Afonso impusera à vida da corte. Mandaria desenterrar Inês e forçaria a nobreza a beijar a mão do cadáver apodrecido, sentado no trono com vestes reais. Mas era apenas um cruel capricho, pois, afinal, Inês já era morta.
O filho Fernando, que cresceu como uma criança adoentada, seria um rei fraco, o último da casa de Borgonha. Vivia para as mulheres e a caça. Sua morte prematura, em 1383, deixou a coroa sem herdeiros homens. A filha Beatriz, casada com o rei de Castela, pretendia o trono e tinha o apoio da nobreza, que pretendia, por sua vez, a fusão entre os dois reinos. Contra ela levantou-se o tio, D. João, filho natural de D. Pedro com uma amante, Teresa Lourenço. Convocaram-se as cortes, em que os representantes da igreja e dos homens bons dos povoados impuseram dois anos mais tarde o nome de D. João I, inaugurando a casa de Avis. Nos duzentos anos seguintes, essa casa real levaria Portugal a construir uma marinha mercante, a encontrar o caminho para as Índias, a ocupar a costa do Brasil, edificando um império baseado em entrepostos comerciais que ia de Olinda a Macau.
Ser colonizado pelos portugueses era tornar-se português e pertencer a esse primeiro grande império em que o sol não se punha. A corte de Lisboa e a universidade de Coimbra eram destino certo dos melhores homens nascidos em Salvador, São Paulo, Goa ou Macau. José Bonifácio deixou Santos para ser cientista em Coimbra. Hipólito José da Costa deixou a Banda Oriental para ser representante português nos Estados Unidos e terminar jornalista em Londres. Tornar-se-iam pais da nossa Independência, mas nasceram portugueses e assim se sentiram até que a inevitável separação se tornasse realidade.
O fantasma da incorporação à Espanha perdurou ao longo da história de Portugal, e iria se efetivar de 1580, com a morte de D. Sebastião, até 1640. Mas nesse período não foram os espanhóis que ocuparam as colônias lusas. Ao contrário, fomos nós (e aqui tomo uma pequena liberdade) a esticar a linha das Tordesilhas e avançar nesse grande interior que hoje se chama Brasil. Quando o conde-duque de Olivares, camareiro-mor de Filipe IV da Espanha, inicia uma tentativa de unificação, os portugueses se revoltam e reconquistam a independência, em 1640, dando inicio ao reinado dos Bragança. E Portugal volta à cena com suas colônias relativamente preservadas. Nos sessenta anos de domínio espanhol, os portugueses não negaram suas origens, Mantiveram os laços. E quando o rei João IV ensaiou um acordo para manter Pernambuco sob controle holandês, foi o pessoal daqui, os portugueses do Brasil, que se revoltaram e os escorraçaram. “Desobedecer ao rei para melhor servir ao rei”, explicaria João Fernandes Vieira, líder do movimento.
Precisamos respeitar a tenacidade, a coragem, o sentido de nacionalidade e o espírito integrador que herdamos dessa extraordinária história. Quando Juracy Magalhães tem o desplante de afirmar que “o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”, logo após o golpe de 1964, envergonha o que há de bom em nossa tradição. Quando Eduardo Bolsonaro corre aos EUA para esmolar uma intervenção perversa, envergonha igualmente nossa tradição. Portugal subjugou territórios e populações a um enorme preço que sentimos até hoje com a sombra da escravidão e da desigualdade. Mas é dessa mesma tradição portuguesa que nasceu nosso sentido de ser brasileiros. Não é cobrindo-se com uma bandeira estrangeira que o iremos honrar.
Bernardo Lins é doutor em economia pela UnB e consultor legislativo aposentado da Câmara dos Deputados e associado do IBAP. Escreve todo o dia 16 do mês na Revista PUB.











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