ALGUMAS PERGUNTAS QUE VOCÊ TAMBÉM PODERIA FAZER
- há 4 horas
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-Sebastião Staut-
O costume como advogado me obriga, desde esta introdução, a pedir vênia às minhas admiradas, e aos meus admirados colegas colunistas desta Revista Pub, pela simplicidade absoluta das indagações que farei a seguir.
Não temam! Não será nada que lembre aqueles alentados questionários que recebemos na caixa de e-mails, e às vezes até no whatsapp, só por termos tido a petulância de comprar um calçado, um perfume, uma tesoura, seja lá o que for e, portanto, termos preenchido o indefectível “cadastro”, sem o qual é hoje virtualmente impossível efetuar qualquer compra no comércio em geral.
As “pesquisas de satisfação do cliente”, que em princípio deveriam servir para melhor atender ao próprio, transformaram-se em detalhadas sondagens de mercado e meio de coleta de dados cadastrais importantes, efetuadas pelo próprio cliente sem nenhuma remuneração ou compensação. É mais uma forma das grandes empresas de coleta e manipulação de dados obterem, de forma gratuita e sob o já fastidioso lema de “melhor servir”, informações cadastrais que muitas vezes valem, para elas, mais que a venda do produto em si.

A não ser dessa forma, nada justificaria uma pesquisa de satisfação do cliente que comprou um frasco do centenário Leite de Colônia, ou um par de sandálias havaianas (olha elas aqui, sempre no hype das redes) receber em seu e-mail ou número de zap cerca de 50 perguntas sobre endereço, ocupação, renda, escolaridade etc. Comprar qualquer bugiganga, sobretudo em plataformas de internet equivale, atualmente, a um exposed. E ai daquele mais ousado que insista em entrar numa farmácia para comprar uma cartela de aspirinas e queira fazê-lo em dinheiro e sem declinar o número de seu CPF e o CEP. Será olhado com desconfiança, mal atendido. Quase uma “persona non grata”...
Mas, afinal, não é este o objetivo deste artigo. Deixemos as implicações consumeristas, o direito à intimidade e a segurança de dados para outro momento e para serem tratadas, quiçá, por quem tenha maior autoridade que eu nesses assuntos (e não são poucos, nem poucas, no elenco qualificado de nossa estimada publicação).
Vamos, sem mais delongas, as perguntas referidas no título:
1) Por que cerca de 40% do Congresso Nacional é composto por grandes e médios proprietários rurais, quando nem 1% de nossa população se enquadra na categoria de médio ou grande proprietário rural?
2) Por que elegemos para os Executivos Estaduais e Municipais pessoas que, por vezes, nunca residiram, trabalharam, estabeleceram raízes ou militaram nos respectivos estados e municípios?
3) Por que as bancas de jornal vendem capinhas de celular, palavras cruzadas, refrigerantes, energéticos, baralhos, apontam jogo do bicho e quejandas, mas não vendem jornais?
4) Por que nossos congressistas acusam reiteradamente o STF de interferência indevida em sua autonomia, mas não param de acionar o tribunal pedindo que interfira em questões internas próprias de sua autonomia?
5) Por que o presidente eleito, reeleito e reeleito, da Academia Brasileira de Letras, não consegue articular um pensamento simplório numa frase sem gaguejar? Que obra escrita, falada ou musicada credencia indigitado personagem ao colendo cargo?
São perguntas simples, um tanto aleatórias, mas que suscitam respostas não tão elementares. Sinta-se desobrigada, cara leitora. Sinta-se dispensado, caro leitor, de responder. Já são suficientes as “pesquisas de satisfação”.
Sintam-se, porém, completamente à vontade para engrossar esse “quiz”. Há muitas, muitas indagações por fazer. Respostas? Gostaria muito.
Sebastião Vilela Staut Júnior é advogado, Procurador do Estado de São Paulo aposentado, associado do IBAP e contista/cronista acidental. Publica sua coluna mensalmente todo dia 26.




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