Revista PUB - Diálogos Interdisciplinares

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Angústia de sentir-me abandonado...

Atualizado: 29 de Jun de 2019

-ARNALDO DOMINGUEZ DE OLIVEIRA-


A dialética autofágica implementada pelos atuais ocupantes dos poderes na direção do Brasil, está, obviamente, articulada ao aspecto mortífero do supereu melancólico nacional, às vezes, por formação reativa, maníaca, também.


Após veto da PM na Parada LGBT, Leandro Prior pede namorado em casamento em SP. Imagem: G1 SP, 24.06.2019

Há uma complementação gozosa que exacerba as tendências destrutivas, cujo ícone semiótico é um gesto que exprime a vontade de aniquilar.


Esta vontade é recíproca e emergente do paraíso (ou inferno, são sinônimos) pulsional. Traço, aqui, com clareza a diferença que me leva a não aceitar a tradução (também ideológica) de "Trieb" por "instinct" e não por "drive" ou, para nós: "pulsão".


Neste sistema freudiano encontraremos a matéria prima das protofantasias.


Houve um tempo em que, ao emigrar para o Brasil, deparei-me com efervescentes palanques regados a eficácia simbólica. Início de 1982. Escutei, ao vivo, Paulo Freire, Florestan Fernandes, Leonel Brizola, Ulisses Guimarães, Luiza Erundina, Marilena Chauí etc.


Suas palavras nos interpelavam: — Que tipo de res pública? Haveríamos de construir...


Atualmente aquela nem tão velha eficácia apresenta sinais de afogamento, contudo, instintivamente dá suas últimas braçadas como faz um suicida que se aventura por caminhos de algas e de corais.


Se esta for a última razão do instinto, dele — e não da pulsão — depende a manutenção da vontade de viver.


A prisão política de Lula atinge o extremo paranoico desta gente fardada (a paranoia é uma defesa contra a homossexualidade): ou ele ou nós!

Para o criador do conceito, Freud, a pulsão de morte opera de forma silenciosa sobre o corpo e jamais veremos suas manifestações em estado puro a não ser quando elas se fundirem com a libido. Ele as articulou ao sentimento (oceânico) de culpa, ao problema econômico do masoquismo e à compulsão de repetição. A Sra. Klein fez a ligação com a angústia: projeção do sadismo infantil sobre objetos externos seguido de introjeção. É assim que se tornam atacantes internos. A lógica é: para não destruir a mim mesmo → odeio o objeto.


Pois a prisão, obviamente política, do ex-presidente Lula responde ipsis literis a este mecanismo kleiniano, atingindo o extremo paranoico desta gente fardada (onde cabe também a teoria freudiana: a paranoia é uma defesa contra a homossexualidade): ou ele ou nós!


Se o "supremo tribunal federal" (que não merece o emprego das maiúsculas) vier a lhe conceder um habeas corpus, será inevitável o derramamento de sangue.


Lula já terá alguma noção do que lhe aguarda? Pois terá que "apodrecer na cadeia" como já vaticinou o jornalista Paulo Henrique Amorim numa "conversa afiada".


Os militares da caserna não aceitarão # Lula Livre.


E eu consigo imaginar o teor do bruxismo que lhes provocará as denúncias publicadas referentes aos desmandos de um ex-magistrado onipotente, Sérgio Moro, e defendidas com o valor elevado da parresía grega: o franco dizer. Ainda mais por um jornalista da categoria LGBTs.


Um soldado fardado pediu a mão do seu amado durante a última parada de Orgulho.


Ele pagará caro! Atiçou as velhas onças cuja única libido residual está na potência da pistola.


Que os orixás nos protejam! Axé!


Em 28/06/19, no 🚆 a caminho de Santiago de Compostela.


Arnaldo Domínguez de Oliveira é Psicanalista, fundador do "PROJETO ETCÉTERA E TAL... Psicanálise e Sociedade" e conselheiro da Biblioteca Popular de Itaquaciara, D. Nélida, Itapecerica da Serra.


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