NOSSA SENHORA APARECIDA

Atualizado: 1 de Mai de 2019


-Germano Quaresma-


O culto a Maria reintroduz no velho judaísmo o sagrado do feminino. Apagada do Gênesis a Lilith que era a verdadeira mulher de Adão, ganhou a humanidade uma Eva insidiosa, por quem o homem perde o paraíso, e que por castigo vai parir com dor e ser obrigada a cobrir as vergonhas. O Velho Testamento é um compêndio de reafirmação machista, o império de um Deus moralista, julgador, judicioso, castigador.


Na figura de Maria é anunciada a Boa Nova. Por Maria Deus, o Filho, cumpre seu primeiro milagre, nas bodas de Caná. É ela quem unifica a Igreja depois que Jesus é justiçado pelo Pai.


O cristianismo verdadeiro é a reintrodução do amor feminino para salvação da Humanidade. É reconhecer Ísis, Oxum, Shiva, e afirmar que o mundo não precisa só de Justiça, mas de Misericórdia.


A padroeira do Brasil, este país mestiço, é uma mulher negra. É sintomático como nestes tempos judiciais e pentecostais ressurge o secular machismo, escondido no poder do Estado, na negação do feminino, no culto à farda e aos falastrões que pregam sua volta, nas togas e camisas pretas, nos pastores cínicos que chutam santas. Não é a toa que tantos juízes e promotores neguem a Constituição com base em sua interpretação canhestra do Velho Testamento. Sim, do Velho. Por mais que falem no sangue de Jesus.


Sinal do justiçamento, toda essa teologia da justiça se baseia fora da Boa Nova. Em suma, não é cristianismo, senão um judaísmo mascarado. Note-se o quanto todos estes pastores e juízes amam os EUA e sua filial, Israel.


Os supremacistas acreditam num Jesus louro e de olhos azuis. Vem do Norte essa crença, espalhada aqui em todos os rincões, tal e qual a televisão. É um processo colonizador. E machista. Nunca vai tolerar que um deus caucasiano tenha nascido de uma mulher negra. Precisa subjugar ou até liquidar o feminino. Nossa Senhora Aparecida é o símbolo da resistência do país a todo este inferno que se apresenta.

Viva Nossa Senhora.


Germano Quaresma é o pseudônimo do romancista e escritor Manoel Herzog


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