O bem estar social

-FREDERICO ARZOLLA-


O ser humano está distraído pelo entretenimento. Isso ameniza e atenua sua leitura da vida. São lentes de leveza num mundo muito duro. Quando vemos nossa civilização, ela beira a barbárie.



Como há uma estrutura desigual de partição de benefícios e uma massa inaceitavelmente pobre? Quando haverá melhor distribuição de renda? E as mínimas condições de vida serão acessíveis a todos?


A indiferença está no cerne. A sociedade atual é excludente. E além disso cria falsas necessidade de consumo. Há um mundo de ostentação que muitos perseguem.


A cultura do entretenimento é alienante. Desvia o foco das pessoas num efeito hipnótico, assim como fazem os pequenos prazeres que sedam o ser humano. Sedam da dor da alma, diante da realidade que se vê; das suas próprias dores e daquilo que observa mas não se vê capaz de mudar. É a sedação da própria vida. Os vícios decorrem dessas formas do ser humano lidar com os próprios fracassos ou como entende os fatos que ocorrem em suas vidas.


Da vida sabemos muito pouco, em sua ampla concepção. Sabemos aquilo que fomos condicionados a ver, a realidade que nos foi permitida aprender. Um dia perceberemos que vivemos em uma moldura, num quadro em que fomos colocados.


A libertação dos condicionamentos é algo que emerge diante do despertar da consciência, quando conseguimos olhar além. E nossos questionamentos nos levam a ver o mundo como ele é, das verdades não ditas ou não divulgadas pelos meios de controle social.


Saibamos romper e ir além. Exercer a visão crítica das coisas, sem deixar a amorosidade, permeando nossas reflexões e ações. A atuação necessita ser mais consciente e participar do movimento de libertação do mundo dos seus senhores de poder, que dominam e estabelecem os modos de vida. São as corporações, as grandes empresas, a mídia, os acumuladores de riquezas, que agem sob o efeito inebriante e paralisante do capital.


Temos um mundo desigual e governos que não tem em seu cerne o bem estar social. Todos deveriam ter assegurada a qualidade mínima de vida. É um princípio. Vemos nosso país e como estamos andando para trás, fragilizando a população, as relações de trabalho e tornando-a vulnerável, ao fixar valores de salário mínimo tão aviltantes. É essa fragilização da população que impede o sucesso deste país. Não adianta só pensar em exportações se o tecido social está doente. É hora de mudar o foco. Pensa-se muito no mercado financeiro. Age-se conforme suas diretrizes e os direitos da população são continuamente reduzidos.


São as distorções de um país que ainda não encontrou seu rumo, em que a democracia flerta com o inimigo, o autoritarismo; em que decisões são tomadas, visando o atendimento a seletos e empoderados grupos. Quando este país for um país para todos, sem a subjugação de sua população, dotando-a de meios para a evolução material e social, estaremos no rumo certo.


Há que se tratar as mentalidades para chegarmos lá. Quando todos alcançarem a maior consciência, desde os mais pobres até os muitos ricos, talvez consigamos implementar um estado de bem estar social.


Ainda somos muito primitivos, há um sistema construído sob a exploração da natureza e do próprio ser humano. Peças de um sistema capitalista predatório ultrapassado que insiste em se manter.


A evolução, um dia, chegará. Preparemos o caminho. Aqueles que percebem, que tem consciência, coloquem-se a serviço de preparar este mundo, realizando um movimento irradiador para a nova Terra.


São sementes do amanhã, trabalhando hoje, questionando, propondo, agindo para o despertar da nova consciência planetária; quebrando padrões arcaicos de pensamento e de formas de ser e de agir. Células de resistência, pontos de luz a iluminar caminhos e despertar mentes e corações. Exerçam seu trabalho com dedicação. Sem o plantio, nada resultará.


Sejamos estes pontos focais e construamos nossas redes de ação, para que o tecido social seja fortalecido e revigorado, para que este sim possa decidir seu próprio futuro e o da nação.

 

Frederico Arzolla é Engenheiro Agrônomo, Doutor em Biologia Vegetal, Pesquisador em Conservação da Natureza e Florística e Fitossociologia de Árvores da Mata Atlântica.



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